A Campanha da Fraternidade 2026 (CF 2026), com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), convida a Igreja no Brasil a defender um direito essencial: moradia digna. Para a Pastoral da Pessoa Idosa (PPI), esse chamado tem endereço certo: a casa da pessoa idosa, onde a vida acontece e onde a Igreja se faz presença.
A casa como lugar de cuidado e prevenção
A PPI acompanha pessoas com 60 anos ou mais, especialmente as mais vulneráveis, por meio da visita domiciliar mensal. É nesse encontro, dentro do lar, que o(a) líder consegue perceber com atenção sinais que muitas vezes passam despercebidos: risco de quedas, falta de acessibilidade, ambientes pouco ventilados, isolamento, insegurança, ausência de apoio e até situações de violência. Assim, falar de moradia não é apenas falar de teto, mas também de saúde, proteção, vínculo familiar, convivência comunitária e direitos.
Ao iluminar a realidade com o Evangelho, a CF 2026 reforça uma missão que a PPI já vive todos os dias: ser a mão estendida da comunidade para que ninguém envelheça sozinho e em condições indignas. Nesta Quaresma, a Pastoral se une ao chamado da Campanha para fortalecer redes de solidariedade e incentivar políticas que garantam habitação segura, acessível e humana para todas as idades.
Porque quando Deus “mora entre nós”, a dignidade também precisa morar.
__ Por Assessoria de Comunicação Pastoral da Pessoa Idosa Nacional
“Somos 12 Comissões na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mas eu realmente fico impressionado com a Comissão Sociotransformadora. A cada dia descubro uma nova frente de trabalho, uma iniciativa diferente, um novo projeto sendo implantado. Então, sem sombra de dúvidas, eu posso dizer a vocês que é a Comissão mais ampla, mais complexa e mais desafiadora da Igreja do Brasil. Por um lado, isso nos dá a força e a coragem de ter que realmente enfrentar tudo o que isso significa”, destaca o secretário-geral da CNBB, Dom Ricardo Hoepers em sua saudação no segundo dia do Seminário das Pastorais Sociais, em Brasília (DF). O evento reúne os bispos referenciais e representantes das pastorais e organismos que integram a Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Cepast-CNBB).
Dom Ricardo pontuou o agradecimento da presidência da CNBB aos agentes das pastorais sociais pela missão que vivem junto às comunidades e na liderança de ações em defesa de direitos fundamentais, inseridos também nos espaços de atuação cidadã. “Agradecemos a vocês pelo trabalho que realizam nas bases, que é um trabalho imensurável. Sabemos que há um discurso, uma narrativa sendo construída, de que tudo do social é negativo e vocês continuam perseverando. Da nossa parte, estamos sempre preocupados em como poderíamos avançar, como poderíamos apresentar também ao Brasil, nas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja, no processo de evangelização, que isso é parte integrante, é DNA da Igreja, não tem como separar”.
O seminário
“Nós estamos realizando o Seminário das pastorais sociais e organismos do Povo de Deus que é promovido exatamente pela Cepast-CNBB que tem como objetivo, em primeiro lugar, vivenciar e levar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, junto às pessoas empobrecidas, também pautados na Doutrina Social da Igreja (SDI)”, explica Dom José Valdeci Santos Mendes, bispo diocesano de Brejo (MA) e presidente da Cepast-CNBB.
“Estar reunidos com todas as pastorais sociais é um momento muito importante para nós porque conseguimos perceber o que cada uma tem feito, conseguimos nos articular e refletir coletivamente, uma vez que juntas somos o braço social da Igreja no Brasil. São as pastorais sociais e os organismos que conseguem estar mais próximos das pessoas mais vulneráveis, e poder estar aqui reunidos nos faz pensar também em como a nossa ação nos aproxima e nos fortalece, enquanto Igreja em saída”, destaca Indi Gouveia, membro da coordenação colegiada da Cáritas Brasileira.
Os dois dias de Seminário contaram com uma programação que alternou momentos de acolhimento entre as pessoas, formação e encaminhamentos práticos em vista da organização e planejamento das pastorais e organismos. “Compartilhamos nosso compromisso com os pobres fazendo essa caminhada também com os movimentos populares. Neste Seminário nós estamos realizando uma análise de conjuntura social, para olhar exatamente os desafios que nós encontramos na sociedade mas, ao mesmo tempo, para dizer que é importante o papel das pastorais sociais específicas: Pastoral Carcerária, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Cáritas Brasileira, Pastoral da Mulher, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral da Moradia e Favela, Pastoral da Saúde, enfim, são 27 pastorais identificadas com as causas sociais, a partir da perspectiva da Doutrina Social da Igreja”, relata dom Valdeci.
De acordo com o bispo, o Seminário “é um momento de animação, para alimentar o nosso esperançar na luta por um mundo mais justo, mais fraterno. Por isso, retomamos vários temas, por exemplo, o Projeto Popular: O Brasil que queremos, o Bem Viver dos Povos, esse projeto que nós estamos construindo como resultado da 6ª Semana Social Brasileira”, finaliza.
Os participantes do Seminário puderam também participar presencialmente do Ciclo de Reflexões: Jubileu e ecologia integral – implicações socioambientais e pastorais, que aconteceu na sede da CNBB.
Elementos de esperança
Um dos pontos centrais do Seminário foi a análise de conjuntura, que contou com as contribuições de Chico Botelho, secretário adjunto da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP) e Rud Rafael da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e propôs um olhar sobre os arranjos geopolíticos atuais e as oportunidades para saídas sociotransformadoras.
Segundo Botelho, diante de um mundo mergulhado em crises políticas, econômicas e sociais, a profecia que o Papa Francisco nos oferece, expressa-se de maneira extraordinária na Laudato Si e se constitui como um elemento de grande esperança, na medida em que aponta para questões essenciais para a compreensão de saídas justas para a nova organização mundial, com uma crítica profunda ao neoliberalismo. Francisco nos oferece ainda outra porta de saída que é a Fratelli Tutti, “uma crítica profunda à forma como os grupos autoritários estão se posicionando no mundo”, bem como a proposta da Economia de Francisco e Clara que se apresenta como alternativa à economia que mata. Em sua análise Botelho ainda destaca a carta do Papa Francisco aos bispos americanos. “As propostas de um novo mundo estão muito nas ações e práticas do Papa Francisco, e tem dialogado com uma série de forças no mundo. As resistências estão sendo levantadas”, afirma o secretário adjunto da CBJP.
Entre os sinais de esperança, Rud Rafael também destaca a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30) como espaço para discutir justiça climática no Brasil e no mundo. “O debate ambiental permite aos movimentos sociais recuperar a capacidade de pensar sistemas e lutas por moradia e reforma agrária. Chegou a hora de retomar as utopias e a agenda ambiental nos recolocar nesse debate. Popularizar esse debate é fundamental, por isso estamos investindo na Cúpula dos Povos como propulsora do aprofundamento político sobre alternativas articuladas a partir dos territórios e de uma unidade política que nos permita avançar numa agenda comum”, conclui.
A Semana Nacional da Vida, celebrada de 1º a 8 de outubro, traz, em 2024, uma temática de extrema relevância: a pessoa idosa. Sob o tema “Idosos, memória viva da nossa história” e o lema “Na velhice darão frutos” (Salmos 92, 15), a Igreja no Brasil reflete sobre a importância da valorização da vida, desde sua concepção até o seu fim natural. Essa reflexão está alinhada com a missão da Pastoral da Pessoa Idosa, que se dedica ao cuidado, acompanhamento e valorização das pessoas idosas em todo o país.
Aqui estão 7 reflexões importantes que nos convidam a repensar o papel e o valor da pessoa idosa em nossas famílias, comunidades e na Igreja.
1. Pessoa idosa, espiritualidade e vocação
As pessoas idosas desempenham um papel importante na comunidade cristã. Fortalecidos pela prática frequente da oração, elas continuam a servir com seus dons. O Papa Francisco nos lembra: “O Senhor não os descarta, pelo contrário, dá-lhes a força para servir.”
2. A importância da pessoa idosa na família
O convívio entre as gerações é fundamental. O Papa enfatiza: “Na medida em que fizermos com que os jovens e os idosos tenham uma ligação, nesta medida haverá mais esperança para o futuro da nossa sociedade.”
3. Promover, proteger e cuidar das pessoas idosas no ambiente em que vivem
Muitas vezes marginalizadas, as pessoas idosas enfrentam o abandono dentro de suas próprias famílias. “Velhice não é uma doença, mas um privilégio”, ensina o Papa Francisco, reforçando a necessidade de cuidado e respeito.
4. Preparação para um envelhecimento saudável
A velhice é uma fase natural da vida, que pode pegar muitos de surpresa. O Papa nos convida a cultivar as relações com a família, amigos e a comunidade, para não se tornar meros espectadores, mas protagonistas da própria história.
5. A pessoa idosa na comunidade eclesial
Na Igreja, desde os tempos antigos, as pessoas idosas ocupam uma posição de reverência. Sua sabedoria é fundamental para aconselhar e fortalecer a comunidade de fé. A Igreja, por meio da Pastoral da Pessoa Idosa, valoriza e encoraja essa contribuição.
6. Conviver é contribuir
As pessoas idosas têm um papel ativo na evangelização e na construção de uma sociedade mais justa e acolhedora. Ao manterem-se próximas às novas gerações, transmitem sua sabedoria e experiência de vida, reforçando laços entre jovens e idosos.
7. Ser um eterno aprendiz
A qualidade de vida das pessoas idosas está diretamente ligada à manutenção do interesse em novas atividades e conhecimentos. Estimular a mente é essencial para a saúde mental e para uma vida ativa, como uma verdadeira “musculação” para o cérebro.
Essas 7 reflexões destacam a importância da pessoa idosa na construção de uma sociedade mais humana e solidária. A Semana Nacional da Vida 2024 nos convida a reconhecer o valor da pessoa idosa em nossas comunidades, promovendo seu protagonismo e celebrando sua vida como um presente para todos nós.
__ Por Assessoria de Comunicação Pastoral da Pessoa Idosa Nacional
De 1º a 8 de outubro, a Igreja Católica no Brasil celebra a Semana Nacional da Vida, cujo tema deste ano é “Idosos, memória viva da nossa história”, com o lema “Na velhice darão frutos” (Salmos 92, 15). Este período convida todas as comunidades a refletirem sobre o valor da vida em todas as suas fases, destacando a relevância das pessoas idosas como protagonistas na construção de nossas famílias e na transmissão de valores.
Durante esta semana, somos chamados a reconhecer o papel essencial das pessoas idosas, que ao longo de suas vidas acumulam sabedoria e experiências valiosas. Elas são, muitas vezes, as responsáveis por ensinar, cuidar e evangelizar, contribuindo diretamente para a formação das futuras gerações. Além disso, as pessoas idosas continuam a desempenhar um papel ativo nas comunidades, compartilhando sua história de vida e seus ensinamentos.
A Pastoral da Pessoa Idosa reafirma seu compromisso com a valorização, o cuidado e o acompanhamento dessas pessoas em suas realidades. Por meio das visitas domiciliares realizadas pelos voluntários, a Pastoral se empenha em garantir que cada pessoa idosa seja tratada com amor, dignidade e respeito, promovendo uma vida ativa e plena.
Como as comunidades podem celebrar a Semana Nacional da Vida?
Durante a Semana Nacional da Vida, as paróquias e comunidades são convidadas a promover ações que ressaltem a importância das pessoas idosas e celebrem a vida em todas as suas fases. A CNBB e a Pastoral Familiar sugerem algumas atividades que incluem:
Celebrações eucarísticas com intenções especiais para as pessoas idosas, ressaltando seu papel como memória viva de nossas famílias.
Encontros e palestras que discutam a relevância das pessoas idosas na construção de uma sociedade mais justa e acolhedora.
Oficinas e atividades intergeracionais que promovam a troca de experiências entre jovens e pessoas idosas, fortalecendo os laços familiares e comunitários.
Visitas e ações de solidariedade voltadas para as pessoas idosas em situação de vulnerabilidade, promovendo o cuidado e o acolhimento.
Momentos de oração em agradecimento pela vida das pessoas idosas, pedindo por sua saúde e bem-estar.
A Semana Nacional da Vida é uma oportunidade para refletirmos sobre o valor da vida em todas as suas etapas, especialmente para reconhecer a importância das pessoas idosas em nossas comunidades. Que possamos nos unir para promover ações concretas em defesa da vida e do cuidado com aqueles que são, verdadeiramente, a memória viva de nossa história e fé.
__ Por Assessoria de Comunicação Pastoral da Pessoa Idosa Nacional
A Pastoral da Pessoa Idosa foi uma das pastorais sociais citadas na solenidade de assinatura de protocolo de intenções com o Ministério do Desenvolvimento Social. Através da articulação feita pela Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) firmou um protocolo de intenções com o Ministério do Desenvolvimento Social, Família e Combate à Fome (MDS).
O objetivo desta parceria entre a Igreja e o poder executivo é promover a inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica nos programas sociais do Governo Federal. Além disso, o protocolo visa apoiar a inserção no mercado de trabalho e incentivar a geração de renda familiar.
A solenidade ocorreu na sede da CNBB, em Brasília, no Auditório Dom Helder Câmara, no dia 26 de junho de 2024 e contou com a participação do secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, do Ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias; da assessora da Comissão para a Ação Sociotransformadora da CNBB, Alessandra Miranda, e outros convidados.
Na solenidade, o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, apresentou as ações da Conferência, sua organização e estrutura. E salientou que muito se alegrava com esse momento histórico e de fortalecimento de relações e de trabalho pelo bem comum.
“A capilaridade da Igreja católica em todo o Brasil vai se empenhar para podermos trazer àqueles mais necessitados todos os seus direitos e para terem dignidade e construam uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais humana, mais igualitária, mais cheia de amor e de solidariedade”, disse dom Ricardo.
Em sua fala, o ministro Wellington Dias salientou que, com a assinatura do protocolo, o governo poderá alcançar ainda mais àqueles que mais precisam.
“Através dessa parceria, nós temos o privilégio de poder contar com um plano de qualificação de lideranças que possam multiplicar esse trabalho em todo o Brasil, juntamente com o Sistema Único da Assistência Social, aqui com a Secretaria-Geral da Presidência da República, com várias entidades em todo o Brasil, e com isso, trazer bons resultados. Se Deus quiser iremos conseguir tirar o Brasil do mapa da fome, reduzindo a pobreza e compensando mais perto de zero a extrema pobreza”, disse o Ministro.
PPI e outras pastorais sociais
Alessandra Miranda, assessora da Comissão para a Ação Sociotransformadora da CNBB, explica que, operacionalmente, a CNBB se compromete a realizar momentos de formação com lideranças locais para que elas possam conhecer o programa e multiplicá-lo com outras pessoas que não têm acesso aos espaços de organização do município.
“E vamos contar também com as Pastorais Sociais que atuam diretamente com a população em situação de rua, sobretudo, a Pastoral da Criança, a Pastoral da Pessoa Idosa e outras que acompanham de perto essas vulnerabilidades para a gente divulgar e fazer com que essas pessoas tenham acesso aos programas. É uma parceria que fortalece o Executivo, do Governo Federal, mas também fortalece a ação social e de caridade da Igreja Católica”, disse.
Alessandra Miranda assina protocolo. Crédito: Luiz Lopes Jr. / Ascom CNBB
O Protocolo
Com vigência de três anos, o protocolo prevê um conjunto de ações entre ambas instituições, que vão desde o apoio à implementação de programas, projetos e ações que acelerem a inclusão social e produtiva, passando ainda à promoção do acesso à Ciência, Tecnologia e Inovação, e elaboração e disseminação de estudos, pesquisas, experiências e resultados de políticas de inclusão produtiva, novas ocupações e tecnologias disruptivas, mapeamento de demandas produtivas locais e desenvolvimento do capital humano de pessoas inscritas no CadÚnico.
Solenidade de assinatura de protocolo de intenções com o Ministério do Desenvolvimento Social. Crédito: Luiz Lopes Jr. / Ascom CNBB