Há uma cena que se repete todos os meses em 1.200 municípios brasileiros. Alguém bate palmas no portão, espera, e uma voz responde de dentro. Pode ser uma senhora que mora só desde que o marido morreu. Pode ser um homem que não fala com ninguém há semanas. Pode ser alguém que já não sai de casa.

Do outro lado do portão está um líder voluntário da Pastoral da Pessoa Idosa. Ele não traz remédio, não traz dinheiro. Traz presença. E, muitas vezes, é a única visita do mês.

Essa cena começou antes da pastoral existir. Em 1994, a Dra. Zilda Arns percebeu algo que o país ainda demorava a enxergar: o Brasil estava envelhecendo. Dentro da Pastoral da Criança, ela iniciou um acompanhamento a pessoas idosas. Dez anos depois, em 5 de novembro de 2004, a Pastoral da Pessoa Idosa foi fundada como organismo da CNBB.

O nome foi escolhido com cuidado

Na assembleia de fundação, uma questão ocupou os debates: como chamar essa pastoral? Não seria “Terceira Idade” pois com as mudanças no mundo, poderaim aparecer outras classificações, e o nome seria “perdido”. Não seria “Pastoral do Idoso”,  o nome precisava contemplar também a idosa. Precisava trazer mais dignidade, mais sensibilidade com os seres humanos que envelhecem.  Ficou Pastoral da PESSOA Idosa e na logomarca a palavra PESSOA aparece em destaque, até hoje.

Não é detalhe, é a essência. Antes de ser idosa, a pessoa é pessoa.

Uma frase que virou missão

Em 2005, a pastoral recém-criada buscou palavras para definir sua missão. Encontrou-as na mensagem que o Papa João Paulo II escreveu para a Quaresma daquele ano: “Que cada comunidade acompanhe com uma compreensão amorosa todos os que envelhecem.”

Ele morreu dois meses depois. A frase ficou.

O que aconteceu nesses 22 anos

A pastoral cresceu. Veio o primeiro Guia do Líder, em 2007, quando as capacitações ainda eram feitas com textos avulsos testados pelos próprios líderes. Vieram dois Prêmios Nacionais de Direitos Humanos, em 2008 e 2012. Veio a parceria com a OPAS, em 2013. Veio o reconhecimento do Vaticano, em 2018, e o Prêmio Zilda Arns, no mesmo ano.

Em 2010, o terremoto no Haiti levou a fundadora, Dra. Zilda. A Ir. Terezinha Tortelli assumiu a coordenação e seguiu. Em 2020, o Dicastério para Leigos Família e Vida (Vaticano)  realizou seu primeiro congresso mundial “das pastorais da pessoa idosa” de todo mundo,em Roma. A PPI do Brasil foi o grande destaque, entre todos os mais de 60  países presentes, considerando que no mundo todo é a única instituição que tem essa organização bem consolidada, com dados registrados em sistema de informação próprio ( o SIGPPI).  Na ocasião, o Papa Francisco recebeu os participantes em audiência. No ano seguinte, ele instituiu o Dia Mundial dos Avós e das Pessoas Idosas. O Congresso internacional se repetiu em 2025 e outra vez em Roma e outra vez a Pastoral da Pessoa Idosa se destacou com a brilhante participação da Ir. Terezinha Tortelli, representando a PPI e o Brasil na mesa de abertura como uma das principais falas. Outros encontros com o Dicastério tem acontecido de maneira virtual com a participação da Coordenadora Nacional da PPI, Dra. Dione Menz, momentos em que é convidada a partilhar com os demais países a metodologia adotada pela Pastoral no Brasil. 

Hoje, a PPI está em 1.200 municípios, com 20 mil líderes voluntários e 100 mil pessoas idosas acompanhadas todos os meses. Desde 2004, foram 18 milhões de visitas domiciliares.

Seja líder voluntário. Procure a Pastoral da Pessoa Idosa na sua diocese ou entre em contato com a PPI Nacional pelo telefone (41) 3076-6529

Abaixo, fotos do Bolo de 22 anos da PPI, momento especial na sede nacional,  com Presença do Presidente Dom Peruzzo, a Coordenadora Nacional Dra. Dione Menz, a Sra. Julia de 101 anos de idade representando as pessoas idosas acompanhadas pela  PPI, membros da diretoria e da  Equipe Nacional da Pastoral.